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Mostrando postagens de Março, 2009
Realmente, esquecer de tomar aquela cápsula bicolor, com aquele azul bonito me fode. É uma espécie de moderador de estresse, por mais que possa parecer ou ser psicológico (vá lá saber). Afinal, eu acredito piamente na medicina alternativa, mas não tenho muita paciência e tempo para ela ultimamente. E esses comprimidos, essa droga toda só serve pra enganar meu cérebro cansado. Eu mesma não consigo enganá-lo mais, por enquanto...
Eu estava sentada numa banqueta de uns 27 anos, no quarto abafado. Tantas coisas a fazer - pensava, e o ponteiro nunca falha. Entre um blues e outro - Blues For Mama de Nina Simone ou JustAnotherTwelve Bar de PinkFloyd - imaginava como Fante pôde captar toda aquela vida que queria correr em Bandini. Vida que inquieta a gente quando lê. "Era um hábito, ajoelhar. Sentei-me.
Melhor ajoelhar, pois a pontada aguda nos joelhos era uma distração da terrível quietude. Uma prece. Certo, uma prece: por motivos sentimentais. Deus Todo Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietzsche? Ah, que livro! Deus Todo Poderoso, vou jogar limpo nesta questão: vou Lhe fazer uma proposta: Faça de mim um grande escritor e eu voltarei à Igreja. E Lhe peço, caro Deus, mais um favor: faça minha mãe feliz. Não me importo com o Velho; ele tem seu vinho e sua saúde, mas minha mãe se preocupa tanto. Amém." "Eu não sabia. Falei algo sobre temperamentos, mas ela sacudiu a cabeça e cruzou os …
Im-pas-se. Sempre me colocam no meio fio. Ou eu me coloco? Não quero pensar nisso. Se me tocassem nos momentos difíceis, saberiam que estou morta. Se verificassem meus sinais vitais, quando do comportamento atônito, o olhar profundo e distante, saberiam que estou morta. A carne trêmula, alva, posta num vestido vermelho. As faces cheias de incertezas e inquietações, que só alguém muito astuto poderia perceber a ausência na vontade de viver. A tristeza. A irritabilidade por ter que suportar mais um dia entre tantos outros banais e idiotas. Pudera eu chegar lá com um frêmito de vida na ponta dos lábio e soprar as mesmas palavras de Beckett: "Antigamente eu não sabia aonde estava indo, mas eu sabia que ia conseguir, sabia que ia haver um fim na longa estrada cega. Quantas meias-verdades, meu Deus". Eu queria chegar, quero, apesar de tudo e sentir que pelo menos cumpri o mínimo do proposto - suportar o insuportável. No mais, tudo está igual.
Tudo deve ser feito cuidadosamente. Calculado numa rotina especialmente confortável para que nada saia do controle. Como beber água e acompanhar o caminho que ela faz dos lábios até o estômago, descendo fresca e milagrosa como um remédio. Outra é olhar pela fresta da janela o dourado do sol que bate nas folhagens do jardim que quase não se repara ao entrar. Ver como elas brilham e se agitam na brisa gostosa da tarde. Imaginar até uma joaninha, beleza rara de se encontrar no dia-a-dia desta cidade. Tudo isso cadenciado sob uma canção agradável que massageie o coração, já que este encontra-se em coma profundo. Esquecer o passado que se vai com a água corrente e que se foi na corrente das lágrimas. Deixar de lado os rostos que incomodam e apreciar a novidade em sua plenidade, como quem vê a vida pela primeira vez. Digo: não é fácil segurar os medos numa rede até que chegue a hora certa de soltá-los, mas é necessário. Dói vê-los partir, porque um dia fizeram parte de você. Pertenceram a c…
"A vida vem em ondas como um mar". Esta é a verdade de cada dia. A que devemos enfrentar crua e sinceramente com nós mesmos. Nesse "indo e vindo infinito", reparei que não adianta brigar consigo e fechar os olhos, porque ao abri-los, a onda pode nos tragar. Eu digo apenas que posso. Posso tudo que quiser e isso já me provei tantas vezes... Não há nada mais intrigante, assustador e delicioso que se superar. Superar os medos e as limitações. Eu ultrapasso a linha de chegada, atravesso os mares tempestuosos, encaro quem me desafia e me levanto, ainda que por medo ou por qualquer outro sentimento preferisse me encolher. Eu me supero e isso me agrada. O nebuloso me instiga, o desafiador, aquilo que desconheço. E é tão bom, depois de momentos pavorosos, olhar para trás e sentir-se vencedor.