Há um grande vazio nesta couraça. Oca. Inóspita. No máximo invadida momentaneamente pelo fumarento cigarro que desgastou entre os dedos, há muito pouco, no Vale do Anhangabaú. Esfumaçando os pensamentos que se dispersavam numa angústia inefável e abrasiva. Agora, diante da tela lúcida de um computador, divido meu tempo entre trabalhar e amordaçar a dor. O copo d'água em cima da mesa transpira, faz transpassar seu conteúdo, assim como permito que os nervos aflorem em trêmulos gestos nos dedos e no olhar incontido. A calma que encomendei não chegou e não consigo raciocinar. Um misto de inquietação e incapacidade de dar continuidade ao que quer que seja bloqueia os ouvidos e a sala explodindo em verborrágica onda me incomoda. Mal saem essas letras, misturadas ao suor dos dedos que teimam digitar errado. Um grito mudo ecoa nesse vazio todo. Não vejo a hora de sair e fumar mais um cigarro: minha dispersão.

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