Eu as atiro desordenadamente, essas palavras convulsivas que nascem da voz crispada. Não há um roteiro pronto ou receita de bolo. É só um jorrar constante de mesmices e medos, gritos de desespero. Eu injeto todo o veneno anti-monotonia nas folhas de papel, na tela pálida e luminosa. Triste. Não peço ibope. Não peço que goste. Não peço que goste de mim. Ser repetitiva é fundamental, pois firma e substancia o eu. Portanto, eu repito. Portanto, eu repito.

É um jogo de paciência, esperar que o dia acabe. E aguardar que outro ainda se vá. E que chegue o fimdesemana. Que volte a calma encomendada. Meus olhos não prego à noite só pensando em você. E eu penso: será que eu disse que o que digo não é exatamente o que digo, mas que nem disse ainda o que quero dizer? Que diria você?

Ah, mas que pérfida e insolente ansiedade. Em sua teimosia arde. Dos sons não arranco mais aquela tranqüilidade. Apenas meias verdades. E o corpo digita em espasmos, rimas que eu não faço. Mas que mal tem em por vezes rimar...Se não há nada mais interessante a se fazer e o corpo não quer descansar...

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