Chester French na vitrola e você na cabeça...deveria ser a prova de assessoria... Enfim, nós e nós que se estiram na minha frente e enroscam nos meus pés... Para fixar: nós e nós. Ah, santa multiplicação dos pães... O que posso fazer, se você brota em minha vida? Sigo com meu som e minhas poesias...colado aos meus passos, está Dostoiévski. Meu atual companheiro inseparável...



" Em casa lia a maior parte do tempo; tentava assim extinguir sob impressões exteriores o que fervilhava constantemente em mim. As únicas impressões exteriores de que dispunha vinham-me da leitura. Elas eram para mim um grande conforto, naturalmente: comoviam-me, distraíam-me, atormentavam-me; porém um momento chegava em que eu ficava muito fatigado. Sentia necessidade de agir: então de repente, mergulhava na libertinagem, em uma sórdida libertinagenzinha hipócrita, subterrânea. Minha irritação contínua tornava minhas paixões ardentes, lancinantes. Meus impulsos apaixonados terminavam em crises de nervos, com lágrimas e convulsões. Fora da leitura eu não tinha nenhuma distração. Nada em torno de mim que pudesse me impor um certo respeito e me atrair para si. Uma angústia vaga me submergia; eu experimentava uma sede histérica de contrastes, de oposições, e então me lançava na devassidão."



Fiodor Mikhailovitch Dostoiévski [A propósito da neve fundida] De Memórias do subsolo.



Não entenda..aprecie.

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