Sobre paz de espírito, autoconhecimento e aplicativo de limpeza para celular

Passei muitos dias matutando sobre o que está faltando para me sentir plena, em paz. Ando com a mente acelerada - o que faz o corpo ficar lento, exausto, fora do ritmo. Me cobro meditar, mas tem sido um tempo de muita dificuldade em apenas sentar e ficar em silêncio, por mais ridículo que possa parecer. Afinal, é "só parar".

Eis que dia desses baixei um aplicativo para o meu celular, com função de antivírus, limpador de memória, que deixa o aparelho mais rápido, protege contra furtos e zela pela privacidade. Pensei - "é isso! É tudo o que eu preciso!"

O celular tem gostado, todo prometido pelo app foi cumprido. Mas e eu, como posso otimizar minha vida, meu desempenho vital - digamos assim, limpar o lixo da memória, me proteger de alimentar energias ruins, maus hábitos? E como me proteger dos furtos - aqueles momentos em que esqueço de mim, uso mal meu tempo, minha energia -, mais: como cuidar de minha privacidade, isto é, reservar meus turnos de solitude para digerir, acalmar, reenergizar meu ser?

Na primeira resposta consta meditação. Porém, logo me inquieto e fico sonada. Algo que fora tão simples e prazeroso para mim tem sido um desafio. Pensei no grupo que frequentava, na capela que me deixou em paz em Buenos Aires, na aula de yoga que me centrava, todavia, nada mais parecia fazer sentido. Então, que era? Onde poderia encontrar aquele espaço sagrado que outrora me acolheu e fez sentir que, mais que refúgio, era um tempo de maturação, aceitação e gratidão? Como fazer para marcar um encontro comigo, me olhar por dentro, rir de mim, me dar amor?

Muitas ruminações após, concluí que esse espaço é interno, que o sagrado construo eu, se assim quiser. Que já vim com antivírus, otimizador, limpador, tudo de fábrica! Entretanto, apesar de já ter acessado esses componentes, 'inda existe uma inabilidade para lidar com tecnologia tão refinada. Dito isso, só me resta testá-lo, ir apertando os botões para ver o que acontece até aprender a manejá-lo, até se tornar um hábito, um vício, cuidar de mim, me amar e me abrir as portas e janelas para SER.

Comentários

Nícia Cruz disse…
de vez em quando sinto o mesmo. Às vezes a meditação parece "uma coisa mais que preciso fazer", e aí perde toda a sua beleza e benefício.
já me apercebi que é nas alturas que mais preciso de meditar, que mais resistência coloco. não quero ficar comigo mesma, porque isso implica lidar com o que mais me magoa. eu sei que é através do sofrimento que me irei libertar.

o que eu tenho tentado fazer nessas alturas é encontrar um outro modo de me amar: e pode ser através da meditação através da dança, ou o ioga ou escrever. ou mesmo aceitar que não há problema em me sentir assim e não querer meditar. isso já é meditação em si mesma!

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