Quando você percebe que aquela pessoa não tá te sacaneando. Que, na verdade, você está se sacaneando. A sua criança interior está ferida e grita, berra, se debate. Quer porque quer, não se conforma em não ter aquilo que quer. Então ela chora, briga, insulta, acusa, faz birra. Se fecha, se consome e se recusa a assumir que é o não que a deixa assim. Você a observa toda contrariada e não sabe como lidar, só sente a garganta dela sufocada e é como se você fosse uma mãe de primeira viagem. Como explicar pra essa criança que o que ela quer não é possível? Que nem é o que ela precisa, de fato? Que ela está sendo caprichosa. Como explicar, se nem mesmo você sabe do que ela precisa e como dar isso a ela...
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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