Depois de você nenhuma paixão valeu a pena. A cerveja perdeu o gosto, maio é um mês triste, as tatuagens são cicatrizes. Depois de você eu perdi o prumo, fiquei anjo caído, assim meio torto. A poesia ficou sem coração, porque este ficou com você. O peito às vezes faz um barulho estranho, penso que vou morrer, mas dizem que nessa vida de amor ninguém nunca morreu. Não que eu saiba. Daí penso que se morte não é minha sorte, devo continuar por aí, com o peito oco sem um amor louco que me deixou sem rir. Ando, ando pelo asfalto o andar incauto de quem medo não mais tem. Como o pão que o chifrudo amassa todo dia e quando anoitece minh'alma reclama da fome de você. Eu não sei que é que acontece, que não é atendida nenhuma prece pra eu ficar com você. Acho que Deus fala baixinho que não é meu caminho todo esse fuzuê. Mas eu não ouço. Sei não se porque coração apaixonado é burro e gosta de sofrer. Ou se é porque sofrendo amo mais que quando amei pela primeira vez.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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