Sabe, eu não tenho escrito ultimamente. Às vezes escrevo longas histórias ou relatos em minha cabeça ao mesmo tempo em que eles ocorrem, mas não chegam a virar tinta em papel. Minha cabeça anda se adaptando à essa realidade toda, tentando se adaptar. Fazendo o possível para superar o julgamento das pessoas - e o próprio. Ando com as vísceras penduradas para fora e não procuro mais uma forma de escondê-las. Penso que estou tentando admitir minha identidade sem abafar muito as imperfeições, porém não fazendo alarde. Existem muitas idéias em minha cabeça para o amanhã que é agora. Confesso que me falta boa vontade, força, condição para assumir que eu posso passar por cima de todas essas pedras e me sair bem. Também, depois de tantas lapadas da vida, há de se ficar desconfiada... Estou avaliando minhas possibilidades e sei que todas são bem vindas, mas demandam muito trabalho. Acho que essa fase de me recuperar e fortalecer está longa demais. Se levar em consideração a premissa de que cada coisa tem seu tempo, é válido pensar que se deve aguardar. Aguardar? Tipo, ficar de braços cruzados? Ou será que o 'cada coisa tem seu tempo' supõe uma movimentação acima da vontade? Digo acima como quem constata que ficou esperando e o bonde passar e agora tem de ir à pé. Bem, de qualquer forma a escolha é sempre nossa, não? Livre arbítrio. Vou pensar melhor sobre isso.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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