Tento fingir indiferença, mas o rosto se contrai num sorriso, involuntariamente. A lembrança surge na mente como um bálsamo e aquece a manhã chuvosa do lado de fora da sala. Um bip e minhas mão voam antes mesmo que a ansiedade se aperceba de sua existência monótona diante de meus desejos. Brasa. O músculo em brasa palpita feliz. Os dias e as cores parecem mais claros e luminosos. Os sons calmos. Poderia eu embotar os olhos que cintilam para meu próprio bem? Não convém ser tão vivaz diante da atenção alheia...
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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