Me espanta o fato de logo tão prematuro o dia, a ignorância fétida atravessa os dentes e se materializa em cômico e penoso ser. Penoso, porque não deve ser fácil ser idiota o tempo inteiro. Admirável. Tomo então não um, mas dois copinhos, do que já se tornou vício matinal, com três colheradas de açúcar: a tinta preta. Tudo em prol da manutenção da sustentabilidade do corpo. Uma maneira indispensável, já que quatro horas noturnas não são suficientes, de fazer com que a realidade não se despedace, ao passo que a mente avisa: aguarde enquanto suas configurações "estão sendo" salvas.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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