Ouço Bob Marley, mas a voz é a sua. Sinto o vento passar pelas mechas dos cabelos, mas é de seus dedos que me lembro. O sol queima minha pele quando ando pelas ruas de São Paulo, mas é seu abraço no pensamento. E quando eu mordo uma fruta doce e suculenta, são seus beijos que eu consumo. Dos dias mais felizes eu sempre trago os sons mais bonitos. Os tons mais coloridos. Você apagou o cinza e abriu a cortina para o sol entrar. E eu te amo por isso. Mais que uma simples frase, todo o meu ser empenhado em transmitir o bem que você me faz.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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