Sabe, o pior não é saber que passará a eternidade no cume de uma montanha com uma ave dilacerando seu fígado. O que dói é saber que ele se regenera... A queda que provoca a fratura dos ossos é o que menos importa...Saber que eles cicatrizam para uma próxima, é que machuca... Não se pode acostumar-se às coisas ruins, mas pode-se ter a certeza de que elas sempre acontecerão. Não me habituo, mas sei que a felicidade é feita de momentos. Meu momento acabou ali, naquela plataforma...Sim, eu sei como as coisas acontecem...Não me causa espanto. Só digo que me acostumar é pedir demais. Mas eu sei como funciona a máquina do mundo. Se isso é bom ou não, nem sei... Depende do ponto de vista...Só sei que fabuloso não é. O resumo de meu fim-de-semana é pautado por tantas peripécias, que não caberia aqui...coisas boas e ruins, volúpia e náusea... Sabe, eu sou normal - não importa seu ponto de vista sobre normalidade - minha vida que é bipolar...vou de um extremo ao outro em minutos...talvez porque algo esteja muito desregulado por aqui...
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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