É porque essa coisa não se define...não há palavra só que expresse esse sentimento. Vazio? Angústia? Ansiedade? Melancolia, nostalgia...de quê? I don´t know. É quando você sente que toda a atenção do mundo não vai te parar, que o vento é só pra lembrar a poeira suja "em cantos de concreto"... Mas eu desisti de entender. De me entender. Deixo fluir como uma novidade a cada manhã. E flui o mau-humor, flui o desespero, flui a insanidade. Alegria são momentos...o resto é constante. Queria poder apertar um botão e apagar, como um robô. Ou morrer de vez enquando, só pra variar... Dia desses me atiro nua numa fonte pública. Ou saio falando coisas desconexas pelas ruas, como louca. Estou cansada dessa normalidade. Cansada desse mundinho rotineiro, onde não acontece nada além de bombas, crise aérea, aquecimento global...O caralho! Todo mundo assiste, inerte, ao fim do caos. Todo mundo! E aí, quem se habilita? Ficar aqui de espectador é cômodo demais. Cadê os terráquios desse mundo de Deus? Ah tempo maldito...só faz me enrolar. Quer me ver louca e sóbria. Não! A loucura já é minha...eu sou dela. Somos. Vivo com ela...sobrevivo. Não vivo bem nem mal, simplesmente vivo. Das noites escuras e sem lua tiro minhas sombras. Dos dias, em que o sol rasga nossas retinas, tiro o fôlego. Minhas unhas vermelhas expressam o sangue da solidão, que mordo e despedaço; para logo em seguida ela renascer, negra e sarcástica.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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