Espremer a ferida até que todo sangue e pus saia. Dar vazão aos sentimentos de libertação. À libertinagem. À pilantragem. Quero uma corda para me pendurar e sair planando pelos corredores extensos desse medo, dessa loucura. Meus delírios aparecem em público. Minhas manhas se expõem sem pudor numa bacia d'água fria com a pele enrugada. Quantas garrafas é preciso para perceber além da matéria? Eu tenho vivido em baixa resolução por atrevimento. Tenho me servido das mais fétidas e das mais refinadas sensações. Sigo extirpando a dor como quem empurra calmamente a cutícula para removê-la. Da inflamação de nervos insones, os desejos mais atrozes contra a ignorância e a futilidade diárias. Pudera eu arrotar um grito bem na cara dos fantoches purpurinados e indecentes. Pudera eu enroscá-los em suas próprias cordas para que deixassem minha vida em mim. Eu não quero muito mais que o essencial. Eu só quero as fragrâncias de jardins verdes e a paz que neles se estabelece. Ouvindo Etta James num circuito letras-música-pãodequeijo e o estômago aflito se retorcendo por provações futuras. Noturnas. Sem a paciência necessária, deixo aqui as frases inacabadas de uma mente febril.

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