Vida, essa senhora espertinha que adora pregar peças e se ri toda das nossas trapalhadas. Consciência nova se abrindo; é como se o céu se abrisse depois da tempestade e fosse fácil assim enxergar tudo ao redor. Nem por isso as mazelas somem, mas fica mais tranquilo lidar com a vida. Menos urgente, menos sufocante. Parar, observar, respirar. Equilibrar as emoções, os sentimentos. Se isentar de julgamentos. Tão difícil e inexorável... Vejo que não poderia ter escolhido profissão melhor. Exercitar na vida e no ofício a arte da imparcialidade e buscar atingir o mais próximo disso, já que é impossível alcançar o 100%. Distanciar para aproximar. Silenciar para ouvir, ver e entender. Auscultar o Eu. Gratidão!
A vida se desenrola em acontecimentos inesperados. Esse é o padrão. Tudo aquilo que pode mudar, irá mudar. Porque vida é movimento, como diz meu pai. A vida é essa oscilação constante, de natureza tortuosa, ora caótica, ora tranquila, caminhos ciclicamente intrincados. A morte é linha reta. O maior desafio da vida é a própria vida: tudo não passa de uma apresentação improvisada, sem ensaio, para se aproximar do equilíbrio - esse delicado ponto abstrato pelo qual vivemos e do qual a manutenção é utopia. Quando se pensa estar confortável, a vida vem turbulenta e nos sacode de modo que tudo que voa para o alto cai em lugares e de formas completamente diferentes. Não mais há tempo para memorizar, o tempo todo tudo muda e tudo é novo de novo. E esse eterno desconhecido é a perfeição que alimenta nossa evolução. As contradições ficam por conta do que aprendemos como bom e ruim. Do que entendemos por sucesso, felicidade... O cansaço faz parte e coexiste com a calma, a irritação e a tranquilid...
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