Vida, essa senhora espertinha que adora pregar peças e se ri toda das nossas trapalhadas. Consciência nova se abrindo; é como se o céu se abrisse depois da tempestade e fosse fácil assim enxergar tudo ao redor. Nem por isso as mazelas somem, mas fica mais tranquilo lidar com a vida. Menos urgente, menos sufocante. Parar, observar, respirar. Equilibrar as emoções, os sentimentos. Se isentar de julgamentos. Tão difícil e inexorável... Vejo que não poderia ter escolhido profissão melhor. Exercitar na vida e no ofício a arte da imparcialidade e buscar atingir o mais próximo disso, já que é impossível alcançar o 100%. Distanciar para aproximar. Silenciar para ouvir, ver e entender. Auscultar o Eu. Gratidão!
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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