É assim. Eu tenho um movimento rígido, um reflexo de defesa quase que constante. E não é só com você. É um instinto-louco-absinto e incontrolável. E quando você chega perto ele apita como um alarme de perigo para que eu saia em fuga. Uma mensagem, um signo me diz que você é cobiça proibida. Abraço o espaço vago. Então eu bebo o que está no meu copo e acendo um cigarro pra viabilizar a noite. E se eu tremo é de frio e de medo. E se eu tenho esse olhar torto de palhaço triste é porque meu coração não resiste a mais uma comédia. Entre todas as suposições aceito essa: não sei mais como conviver a dois. A desculpa é que quando você amadurece as manias são quase impossíveis de abandonar e quem consegue ficar com alguém cheio de manias? Manias são irritantes. Por isso escolho as manias e talvez nos encontremos em outra vida, outros corpos. De tantos modos que não sei precisar.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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