Hoje o dia foi de um cinza indescritível. Improdutivo, jogado fora, inútil. As árvores altas que recortavam a massa cinzenta do céu traziam à tona toda dor e sensação de sufocamento. Hoje foi difícil lidar com ela. Pensar um jeito de assimilar a vida, assim como o álcool auxilia na assimilação do floral. Uma inquietação que faz os dedos trocarem as letras, a cabeça girar e a visão flou. Acalmar? Só quando Ella me Nina. Me sinto culpada o tempo todo. Culpada por muito que nem me pertence e duplamente culpada pelo que deixei de lado. Se as pessoas pudessem entender, saber... Como é difícil conviver com ela. O quanto nos batemos todos os dias nessa luta absurda. Não queria chorar, não queria ser fraca assim. Mas em certas horas, quando nos vemos completamente sós, fica complicado assumir uma postura rígida de vencedor. E eu recorro às minhas divas como um momento de prece e desabafo. Tentando me incluir novamente nesse mundo.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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