Os dias estão muito nublados. Eu ando pelas ruas como se fosse um espectro maldito. Compro livros que nunca vou ler, filmes que nunca vou assistir. Durmo o dia inteiro e passo as noites insone procurando um sentido pra tudo isso. Lembro dos anos idos de minha infância e a única memória latente é a do medo. As pessoas ficam achando isso ou aquilo de mim, mas não sabem nada. Eu olho no espelho e só vejo aquela menina assustada com quatro, dez ou quinze anos. Refaço cenas em minha cabeça, repasso o filme da minha vida. O que está errado? Como aquelas pessoas conseguem? São burras ou o quê? Por que tudo parece tão caótico, dolorido e inútil? Eu quero, meu Deus, entender como tudo isso se dá. Quero demais.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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