Eu pensei que poderia, mas não. Iria me lamentar depois por ter sido tão triste quando jovem. Iria me condenar. Eu quero, mas não posso. Deixando isso de lado, preciso somar aqui palavras que expressem meus últimos momentos como ser humano não só pensante, como também atuante. Mostrar meu res non verba. Finalmente, como um soco inesperado que surge, saltei do ninho em que me encontrava e pus-me nessa vida ao desvario constante de quem fica à beira do precipício e inclina a cabeca para tentar ver o seu fim. Saltito de um lado para outro sem amarras ou receios. Corro e paraliso como que compassadamente num descompasso certeiro. Me arremesso de costas e sei que ali embaixo haverá alguém de me amparar. Mesmo que seja me próprio eu.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
Comentários