Nada do que digo ou faço pode tornar essa sensação menos insuportável. Mas eu ainda posso viver, não é? Não importa quantas coisas me sejam tiradas, arrancadas à flor da vida, eu ainda posso viver. Ainda assim tenho minha presença neste mundo. E se me arrancassem a única coisa que me resta – parca atualmente, confesso – pelo menos eu teria deixado minhas pegadas por algum lugar onde pessoas hão de passar. Fico aqui, calada, trancada nesse estado de letargia. As pessoas não entendem, acham ser besteira, corpo-mole. A verdade é que sou uma criatura da noite e se em quase vinte e sete anos não mudei, não será agora que vou mudar. Queria um veneno antimonotonia, uma cura, um socorro. Mas acho que só eu posso me proporcionar isso. Só não sei como...
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
Comentários