Tento fingir indiferença, mas o rosto se contrai num sorriso, involuntariamente. A lembrança surge na mente como um bálsamo e aquece a manhã chuvosa do lado de fora da sala. Um bip e minhas mão voam antes mesmo que a ansiedade se aperceba de sua existência monótona diante de meus desejos. Brasa. O músculo em brasa palpita feliz. Os dias e as cores parecem mais claros e luminosos. Os sons calmos. Poderia eu embotar os olhos que cintilam para meu próprio bem? Não convém ser tão vivaz diante da atenção alheia...
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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