Sem força para o que quer que seja. Sem ânimo, sem nada. Nem nada. Ah, que tédio mais pavoroso. Que loucura essa que ronda minha cabeça todas as manhãs e termina por invadir os sonhos soturnos. Tantas cobranças, tantas pressões... Olha, que quando nascer tudo dessas sementes que estou plantando terá de ser majestoso. Porque não está sendo fácil arar essa terra. Quero arrancar os cabelos, gritar e espernear até desmaiar de cansaço. Todos os membros em colapso. Não sai mais uma letra. Socorroooooooooooo!!!
A arte de colher pedras preciosas
Às vezes precisamos de pessoas assim, que nos façam sentir a frescura do ar e o perfume das flores. De meninas tão leves e doces que venham com pedrinhas nas mãos - dizendo ser preciosas. De um chocalho, umas penas, alegrias e tendas. De colares, colores, olhares, manjares. Eu vi a luz hoje e me encantei como antes. Eu vi o azul da saia e a vida em avenidas e esquinas. Eu vi hoje a placa na rua que dizia "precisa-se de felicidade". E eu não escolhi o caminho da saudade. Nos pés, os chinelos batidos com pedrinhas brilhantes. Na bolsa, toda esperança querendo saltar pelas bordas. Eu vi o verde e meus olhos sentiram a falta da mãe. Do sal d'água que fica na pele e do sol queimando os cabelos na praia aberta. Sinto falta da saia rodada e dos panos enrolados no corpo. Sinto falta d'água na pele e o refresco d'alma. Veio o verão e já era tarde o pó de gelo abandonou os vidros da janela do quarto. Quero meu copo de gelo, com limão por favor.
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