Meio dia e meia, Viaduto do Chá. Destino: Tietê. Paro pra pedir informação ao motorista de ônibus e vejo teu rosto na multidão. Quando aperto os olhos para enxergar melhor já é outra pessoa. Talvez o sol quente ou o odor acre, abominável de urina e fezes da Praça Pedro Lessa. No entanto, é indiferente. És apenas uma pobre alma penada agora. Foste unicamente uma síncope em meus dias. Apnéia e nada mais. Trágico palhaço...
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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