Não há música. O quarto é frio e atravancado de coisas por cima de coisas. Solidão. É quando está rodeado de pessoas e mesmo assim se sente só. Você me disse que eu deveria pensar bem. Que possivelmente me fazia um favor, já que eu achava tudo aquilo. Vim pensando nesses oito meses, e a única conclusão que cheguei é que não se pode lutar contra um fato (considerações jornalísticas aplicam-se muito bem, sim). É o que é. Não posso parar a vida em função disso, mas não há como negá-lo. Então, eu me rendo! Permito-me conviver com isso, já tão além de minhas forças. Tão incrustado em meu corpo, um cheiro que não cessa nunca. Uma sensação inesgotável do ontem, a visão da primeira vez... Aceito meus erros e fraquezas e não espero, nem deixo de esperar mais nada. Simplesmente solto a vida para que ela faça o que bem entender. O meu tempo mudou e hoje eu acordei outra.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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