Estou cansada de jogar nesse tabuleiro escorregadio. No capítulo anterior eu fui Lollius e você Thais. Por que? Por isso? Não há saídas ocultas fora do seu mundo. Não há melhores perfumes que os deitados em sua pele naquele verão. Sob a leve compressão dos lábios carmim que murmuravam promessas dormia teu calor inócuo. E meu corpo foi seu templo, sua clareira, seu túmulo. E no fim eu só lamento você nunca ter usado a blusa. Eu carregava sempre uma blusa na bolsa, caso fizesse frio em nossa vida. Pra te agasalhar, pra te proteger, pra te aquecer. Glorioso amor.
A vida se desenrola em acontecimentos inesperados. Esse é o padrão. Tudo aquilo que pode mudar, irá mudar. Porque vida é movimento, como diz meu pai. A vida é essa oscilação constante, de natureza tortuosa, ora caótica, ora tranquila, caminhos ciclicamente intrincados. A morte é linha reta. O maior desafio da vida é a própria vida: tudo não passa de uma apresentação improvisada, sem ensaio, para se aproximar do equilíbrio - esse delicado ponto abstrato pelo qual vivemos e do qual a manutenção é utopia. Quando se pensa estar confortável, a vida vem turbulenta e nos sacode de modo que tudo que voa para o alto cai em lugares e de formas completamente diferentes. Não mais há tempo para memorizar, o tempo todo tudo muda e tudo é novo de novo. E esse eterno desconhecido é a perfeição que alimenta nossa evolução. As contradições ficam por conta do que aprendemos como bom e ruim. Do que entendemos por sucesso, felicidade... O cansaço faz parte e coexiste com a calma, a irritação e a tranquilid...
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