Estou cansada de jogar nesse tabuleiro escorregadio. No capítulo anterior eu fui Lollius e você Thais. Por que? Por isso? Não há saídas ocultas fora do seu mundo. Não há melhores perfumes que os deitados em sua pele naquele verão. Sob a leve compressão dos lábios carmim que murmuravam promessas dormia teu calor inócuo. E meu corpo foi seu templo, sua clareira, seu túmulo. E no fim eu só lamento você nunca ter usado a blusa. Eu carregava sempre uma blusa na bolsa, caso fizesse frio em nossa vida. Pra te agasalhar, pra te proteger, pra te aquecer. Glorioso amor.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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