Em todas as vezes que me mataram, nasceu a poesia. Não foi diferente com você. Tão raso, lago escuro. Não percebe além da superfície afora, que um tanto da vida que dispersa, evapora e a chuva não faz voltar. E mesmo sob o sol do meio dia, quando a lua é alta e provoca delírios, miragens, não enxerga o brilho da vida nas mãos da criança que balança as pernas na beira do cais. Tens um lado caído, já lhe disse. Talvez pense que ando meio perdida, distraída para a vida, mais pegada à morte. Bem verdade que ela me acompanha. Pois não haveria vida sem morte. E eu gosto é da partida. Porque o peito murcha de tristeza e a novidade infla de alegrias. Neste bloco de texto, num blogue que mais parecia um pão dormido, status quo, reacendo a flâmula do amor partido e parto para o que o destino reservou. Minha vida parida por minhas mãos, tomou corpo em minha voz. Fiz a sorte girar então, como enorme vórtice a devorar meus desejos e eis que tenho, como resposta, a massa em meus braços. Abro o forno cuidadosamente: o que não servir irá queimar. Passo a voz ao silêncio, vou beber meu café. A vida corre pelas veias enquanto corro ao pé da montanha e preparo minha escalada.
Tem gente que não se corta e perde a vida num saguão de shopping qualquer. A dor é sempre o melhor remédio, ou quase sempre. Pelo menos é algo que ninguém pode lhe tirar. Sua. Só sua.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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