Me espanta o fato de logo tão prematuro o dia, a ignorância fétida atravessa os dentes e se materializa em cômico e penoso ser. Penoso, porque não deve ser fácil ser idiota o tempo inteiro. Admirável. Tomo então não um, mas dois copinhos, do que já se tornou vício matinal, com três colheradas de açúcar: a tinta preta. Tudo em prol da manutenção da sustentabilidade do corpo. Uma maneira indispensável, já que quatro horas noturnas não são suficientes, de fazer com que a realidade não se despedace, ao passo que a mente avisa: aguarde enquanto suas configurações "estão sendo" salvas.
A vida se desenrola em acontecimentos inesperados. Esse é o padrão. Tudo aquilo que pode mudar, irá mudar. Porque vida é movimento, como diz meu pai. A vida é essa oscilação constante, de natureza tortuosa, ora caótica, ora tranquila, caminhos ciclicamente intrincados. A morte é linha reta. O maior desafio da vida é a própria vida: tudo não passa de uma apresentação improvisada, sem ensaio, para se aproximar do equilíbrio - esse delicado ponto abstrato pelo qual vivemos e do qual a manutenção é utopia. Quando se pensa estar confortável, a vida vem turbulenta e nos sacode de modo que tudo que voa para o alto cai em lugares e de formas completamente diferentes. Não mais há tempo para memorizar, o tempo todo tudo muda e tudo é novo de novo. E esse eterno desconhecido é a perfeição que alimenta nossa evolução. As contradições ficam por conta do que aprendemos como bom e ruim. Do que entendemos por sucesso, felicidade... O cansaço faz parte e coexiste com a calma, a irritação e a tranquilid...
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