Me espanta o fato de logo tão prematuro o dia, a ignorância fétida atravessa os dentes e se materializa em cômico e penoso ser. Penoso, porque não deve ser fácil ser idiota o tempo inteiro. Admirável. Tomo então não um, mas dois copinhos, do que já se tornou vício matinal, com três colheradas de açúcar: a tinta preta. Tudo em prol da manutenção da sustentabilidade do corpo. Uma maneira indispensável, já que quatro horas noturnas não são suficientes, de fazer com que a realidade não se despedace, ao passo que a mente avisa: aguarde enquanto suas configurações "estão sendo" salvas.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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