Às vezes nos surpreendemos com algumas descobertas...Ou nos decepcionamos com outras. O fato é que é extremamente doloroso pensar em ocorrências que podem ter infinitas respostas, e que no final, não chegamos a conclusão nenhuma a não ser a inutilidade de tal tempo disperso. Por mais que trabalhe minha mente no sentido de que devo me ocupar com os objetivos que realmente interessam, percebo-me traída pelo maquinário da cabeça. A estupidez humana é tal, que me pego agindo como se fosse divina e pudesse remover certas estacas fincadas em meu peito por meio de um simples desejo impetuoso e tão desgraçado... É triste a trilha dos seres possuidores do livre arbítrio. Este, os fazem escrever suas dores numa sala escura, onde mal as teclas podem ser distinguidas. Os sofrimentos ainda encontram descanso numa tela plana, aos olhos de quem quer que seja. Esvaem-se pelos dedos ávidos de quem quer se livrar de um freio no silêncio oportuno e derramar seu único bálsamo: escrever. Rilke incita-nos com a questão: "morreria, se lhe fosse vedado escrever?". Esse deve ser o único e verdadeiro motivo a nos guiar, a vitalidade que há em deixar fluir as palavras. Pois eu sei pouco do que seriam minhas noites com a cabeça afundada no travesseiro, se não fosse por um parco pedaço de papel. Quiça um dia possa eu viver por meu próprio combustível. Por minhas próprias cinzas - ou por sorrisos presos no canto da boca. Que chegue logo esse dia. Que aplaque essa escuridão, tão obstinada em ofuscar o brilho dos meus olhos. Pois a tristeza e a solidão não cabem mais guardadas debaixo de minha saia. E eu não sei mais onde enfiá-las.
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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