O fluxo é interrompido pelo olhar de esguelha de um curioso desconfiado. A mente tramita quase que maquinalmente uma forma de capturar os estados de dispersão de um ser cósmico marcado por chispas indecentes. Tento me desvencilhar da rede que me prende e flutuar pelo caminho suave, mas o domínio da razão é pérfido demais e me questiono sobre o melhor a ser feito. Ponderação. O horóscopo me diz para ter, e eu nem levo tão a sério. Mas dessa vez esse é o caminho. Eu tento não reprimir a corrente que esvai d'alma e do corpo dolorido. Eu tento transformar sucata em ouro ou algo precioso. Da tensão e do desespero constante tento extrair o melhor. Boa sorte para mim, boa sorte para você. Que meus passos saiam nas marcas certas por hoje, amanhã e depois. Que eu receba como prêmio aquele corpo quente no fimdesemana para acalmar meu coração supra inquieto...
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
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