Minha vida é uma tragicomédia e o autor deve ser um sádico malicioso...Na pauta certa ele escreve com seus garranchos o que ninguém consegue decifrar. É tinta vermelha, azul e preta. Ele usa BIC no papel reciclado. Rabisca, rabisca e de lá pende um palhaço. Ou boneca-bailarina. Materializa com seu riso louco e cá estou eu! Fantoche. Maneja os cordéis. E minhas pernas já moles de tanto caminhar sapateiam na chapa quente da vida, presas ao corpo incandescente. Na boca, o carmim só no biquinho e a pele fria como porcelana. Intocável aos olhos alheios. Ardentes, se vista de dentro... Ele pinta a dor até a exaustão e a histérica euforia. Ambas andam de mãos dadas na loucura e na eterna doçura. Eu fico aqui, tentando colar essas pecinhas - palavras tão carentes de um significado mais amplo - como um quebra-cabeça vital. Expurgando a alma de todo mal por essas valas, essas linhas... Mas que perfeito autor e que grande pilantra. Se me faz sentir dor e eu gosto, não me faz para o amor. E eu mando você embora, pois esse é meu jeito de amar... Mudando de assunto...não quero meus beijos de volta. Quero sentí-los no fio fino da canção e lembrar de você. Quero pregar você no mural com tachinhas coloridas, que é para identificar a seqüência do amor. Dos amores. O mural apinhado dessas mini-estacas multicor - não há só mais um, mas um único em cada um. Tenho um hobby. Coleciono dores, saudades e amores.Tudo na boa fé, eu juro! Enrolada num cobertor azul, os olhos ameaçam fechar. "Pasquim" me aguarda no quarto. Espero não ter me enganado quanto a você.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
Comentários