Minha consciência resvala pela canaleta de alguma dimensão perdida na interferência do universo. Minha freqüência vibra em cores alegres e o pulso pulsa nas veias dilatadas pelo extremo calor. O sol escaldante cozinha minhas idéias em banho-maria e contrai os pensamentos ruins ou lembranças dos sentimentos tristes que me causou. Ontem eu sonhei com você e acordei banhada em suor. A garganta fechada e uma coisa apertada no peito me dizia que eu havia me enganado feio. Perturbação. Tremor e medo. Medo de ficar com essa coisa ruim gravada em minha vida. E ficou...Só há um meio de desfazer o mal: a verdade. Sempre a verdade. Me disse que o que importava era ser sincero, mas que hipócrita! Se na primeira situação embaraçosa me virou as costas, me abandonou. Justo a mim, que nunca lhe cobrei nada, que espero unicamente o calor humano de uma amizade divertida e descomplicada... Você me subestimou! Não confiou em mim. Mas o pior foi não ter acreditado em você mesmo... É tudo uma armadilha que arma pra si próprio, e ainda cava a trincheira para se defender de mim? Há que se defender de tua ignorância, essa sim, te cega e faz perder aquela coisa boba que tem a vida, mas que dá todo sentido. Meus sentimentos giram como fita louca de cetim pelo ar, transpassam as mechas de cabelos e desenham a emoção e a graça de ser, ainda, alguém que crê que uma martelada não dói, ensina. E nas coisas puramente como elas são: descomplicadas.
Epifanias
[Ler ouvindo Weyes Blood, Agnes Obel] Eu acredito que quando a gente rompe uma barreira na inércia da vida que a gente acha que é real, mas é Maya, quando a gente rompe com esse véu, essa névoa, tudo conspira e no s impulsiona como um vórtice feroz rumo ao nosso centro. E quando entramos em nosso eixo esse turbilhão que somos se alinha em inteireza e potência como partículas que se lembram de si, que como imã se unem. Reintegração. Desfolhamos o que foi, cada folha que brota e sai de dentro de nós extrai todo veneno de tempos vis, obscuros. Florescemos! Finalmente descascamos a película inexistente da ilusão, nos vemos nus. Tudo passa diante dos olhos, porque é o renascer. Vida-morte-vida. Pura vida! Regozijo, perfeição, fluxo perfeito! Um calor toma conta da minha face, meu corpo se desdobra em mil tecidos esvoaçantes, se libertando dos pesos que carreguei. Me perdoo, me compreendo, aceito, agradeço por toda podridão do submundo no qual rastejei tanto tempo. Anjos fragmentados de...
Comentários