Hoje saímos meu all star, meu sobretudo, minha bolsa psicodélica e eu, além dos apetrechos que me acompanham todos os dias. Fui levar o livro que a Lú me emprestou, a propósito, ajudou muito viu, Lú. Nem deu tempo de conversarmos e eu agradecer o quanto queria. A sangue frio, de Trumman Capote. Muito bom esse livro. Fantástico, eu diria. Entrei novamente naquele lugar que me traz indiferença, agora, e sinto que nem quero voltar tão cedo por lá. Voltei com a Vi. Conversamos sobre as coisas...Ai, que saudades dos meus amigos! É tão ruim não tê-los por perto, como antes. Estávamos voltando para casa e pensando na vida. Então decidimos – meu all star e eu – saltitar pela calçada esburacada, driblando as imperfeições. Passei pela casa dele e pensei que seria legal se nos víssemos. Mas eu seria somente um corpo frio interagindo com ele, minha cabeça flutuava...Ergui a cabeça num gesto tedioso e percebi o céu vermelho, não sei se gosto ou desgosto dele assim. Mas, ultimamente, esse céu vermelho aparece nos dias difíceis. Entrei em casa e vi que estava tudo colorido, como sempre. Minha mãe é colorida. Ela deixa tudo tão brilhante e tão vistoso e é tudo tão cheiroso, que me sinto deslocada. Ainda assim, pra mim é tudo preto-e-branco. Cheguei, larguei meu guarda-chuva e aqui estou. Esfomeada por comida e por palavras. Escolhi matar o segundo. Acho que vou descer e comer algo, agora. Meu all star e eu estamos muito cansados de perambular e pensar nesta vida...Quem sabe, uma cerveja fosse bom...Mas eu trabalho amanhã...
Lamento
Eu nunca tenho a dimensão correta das coisas, afetos, pessoas até que ocorra sua ausência. Em minha humanidade, me vejo muitas vezes mais do que gostaria sendo egoista, reclamona, sentindo raiva e outros sentimentos nada nobres. Mas algumas pessoas, afetos, situações, me mostraram inúmeras vezes que também posso e sei ser generosa, amável, amiga, cuidadosa, carinhosa, altruísta. É uma pena que certos sentimentos sejam acessados apenas em momentos de despedidas, em ausências. Nesses momentos, eu sinto a magia da vida que não cabe dentro de mim, que só consigo expressar em lágrimas. Porque eu choro pra tudo... Temo que a vida realmente seja mais curta do que dizem. Eu percebo tudo tão rápido e escorrendo como água em enxurrada. Meu coração chora partidas e ausências. Meu coração lamenta que a vida, muitas vezes, seja tão dura ou nos leve para caminhos tão distantes das pessoas que amamos. Crescer, viver, dói demais! Que a divindade se manifeste em todos os lugares e cure todas...
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